
Descrição: O imóvel possui dois pisos e é de planta quadrangular,
com dois corpos colateralmente avançados. É
um edifício de influência erudita com algumas
características neoclássicas.
A fachada principal tem cinco portas, ao nível do piso
térreo, sendo as três centrais mais recuadas,
dando, assim, lugar a um pequeno pátio revestido com
mármores brancos e pretos num desenho enxaquetado.
Encima este pátio um balcão protegido por uma
balaustrada. No piso superior, que é, à semelhança
do inferior, organizado simetricamente, existem, nos corpos
mais avançados dois janelões geminados, um de
cada lado do imóvel, e, centralmente, dando acesso
ao balcão, existe um janelão também geminado
ladeado por outros dois mais simples. Ainda nos corpos laterais
abrem-se mais dois janelões que dão acesso ao
balcão.
O corpo central, mais recuado, é rematado por um frontão
curvo interrompido onde se inscreve uma esfera armilar encimada
por uma coroa (as verdadeiras armas do Município que
eram iguais às do Rei D. Manuel I, quando Duque de
Beja e Grão-Mestre da Ordem de Cristo). A fachada Oeste
possui ao nível do piso térreo duas portas e
quatro janelas com tapa-sóis verdes. No piso superior
encontramos três grandes janelões semelhantes
aos da fachada principal, com uma varanda com guarda de ferro.
Lateralmente recorta-se mais dois altos janelões. Em
frente desta fachada existe um logradouro calcetado com pedra
de calhau limitado por uma balaustrada, onde se inscreve um
alto portal de acesso com porta de ferro forjado.
A fachada Este possui treze vãos: ao nível do
primeiro piso, quatro janelas com tapa-sóis verdes,
duas portas e duas gateiras engradadas; ao nível do
segundo piso, cinco janelas também com tapa-sóis
verdes. Em frente desta fachada desenha-se o Jardim Municipal,
com caminhos calcetados a calhau rolado, onde se destaca uma
coralina abissínia e uma sumaúma. Superiormente
todo o edifício é percorrido por uma cimalha
curva sobrepujada por uma platibanda lisa. Os tectos são
de masseira com uma única cobertura de quatro águas
em telha marselha.
O desenho enxaquetado do chão da varanda porticada
prolonga-se para o interior do edifício. O “hall”
possui duas colunas, de gramática neoclássica,
pintadas de branco, e que foram outrora marmoreadas (escaiola).
Neste “hall” abrem--se seis portas para divisões
colaterais, e parte uma larga escadaria, em madeira, com um
lanço central e dois lanços laterais simétricos
que dão acesso a uma galeria superior de distribuição.
A iluminação deste espaço é efectuada
por amplos janelões em arcos de volta perfeita, de
alturas diferentes a partir do vão central.
O imóvel dos Paços do Concelho é construído
em alvenaria de pedra rebocada e pintado de branco, excepto
as molduras dos vãos, embasamento, cimalha, consola
da varanda e balaustrada que são pintadas de cinzento
escuro. De salientar ainda que o Salão Nobre apresenta,
desenhado nas paredes, uma arquitectura falsa reproduzindo
uma linguagem de influência neoclássica.
Época de Construção Inicial: Séc. XX (1929)
Utilização Actual: Câmara
Municipal de Machico
Propriedade: Pública
Proposta Preliminar de Classificação
no inventário realizado: Imóvel de
Interesse Público
Observações: Edifício
de linguagem ecléctica com referências neoclássicas.
Em meados dos anos 80 do Séc. XX o edifício
sofreu algumas alterações desajustadas. O chão
do “hall”, em ladrilhos brancos e pretos, foram
substituídos por mármores da mesma tonalidade
e neste espaço, como na escadaria, colocou-se um lambril
de azulejos sem qualidade. Os tectos, exceptuando o de masseira
do Salão Nobre, que deveriam ser em estuque foram substituídos
por tectos falsos em plástico imitando madeira com
motivos vegetalistas que destoam com a linguagem do conjunto.
No arranque da escadaria havia lateralmente duas esculturas
de gosto neoclássico que, entretanto, desapareceram.